"Para fugir da solidão, Cecilia resolve ir a um bar, onde conhece uma misteriosa senhora. Após o primeiro encontro, ela voltará todas as noites ao local de Miami, para escutar da anciã a história de três famílias, que remete a épocas e lugares distantes - um suicídio na China, que desencadeia várias lembranças familiares a Cecilia; uma maldição que assombra algumas mulheres de um povoado espanhol; e a saga de uma jovem africana, que é arrancada de casa para um destino desconhecido."
É um livro que mescla uma Cuba chinesa, espanhola e africana, sem aquele acentuado clichê pró Fidel e a Revolução. Mostra além, mostra gente, mostra mito, mostra magia, mostra vida real que se entrelaça e surpreende.
Alguma vez você já parou para pensar o quanto são absurdas nossas práticas de beleza e saúde?
Para ter um sorriso bonito, dá-lhe brocas, raspagens que sangram as gengivas, pinças, aparelhos dentários que nos remetem aos aparelhos de tortura medieval.
Para ter os cabelos lisos e certinhos, dá-lhe chapinha, escova, produtos químicos com cheiros insuportáveis e tudo isso durante o verão brasileiro, que torna os rituais ainda mais quentes e desagradáveis.
Para pêlos loirinhos, descolorantes que ardem a pele e a pobre moça fica pulando igual uma macaca até dar o tempo de tirar.
E depilação? A cera fervente em cima da pele, retirada de surpresa para o seu espanto, dor e desconforto.
No oftalmologista dilatamos a pupila até um ponto onde não é possível enxergar um sofá com nitidez.
Na fonoaudióloga injetam líquidos quentes em nossos ouvidos para que percamos a noção de tempo, e principalmente, espaço.
No gastro te introduzem um tubo goela abaixo.
No neurologista colam eletrodos ligados a fios por toda sua cabeça.
E a ginecologista vem falar que meu útero é lindo e cor-de-rosa depois de me deixar minutos com aquele bico-de-pato enquanto fuça dentro de mim?
Você ouve o anúncio no rádio e na TV: “Super Liquidação de Verão! Todas as peças com até 80% de desconto! Venham conferir!”. E você vai.
Anda a loja inteira, experimenta milhares de roupas bacanas. Passa pelas blusinhas, shorts, saias, bolsas, sapatos... E chega à seção de lingerie! Tudo em promoção!
Você pensa que é hora de comprar coisinhas novas.
Entra ali pela parte tamanho GG, onde todas as peças são beges. Essa parte da seção normalmente é a que dá de frente para o corredor nas lojas de departamentos (e normalmente fica ao lado dos pijamas de bichinhos).
Vai até as calcinhas cor-de-rosa tamanho normal.
Chega às calcinhas de lateral bem fininha e parte de trás grandona.
E então avista aquelas pecinhas minúsculas pretas, vermelhas, de oncinha, tigrinho, cheias de lacinhos, transparências, que cobrem exatamente a marca daquele seu biquíni novo.
Vorazmente chega até o corredor delas. Não vê mais nada a sua volta.
Mas, de repente, ele surge: Cara de tonto, bolsa feminina pendurada transversalmente, diversas sacolas de compras, um ar de quem está viajando ali enquanto espera sua esposa olhar as calcinhas beges GG e os pijamões de bichinho, e para bem, mas bem, em frente às calcinhas pequeninas que você havia avistado.
Você dá uma volta no corredor. Tenta olhar por cima de seus ombros. E nada. Desiste e vai ver outras coisas.
Agora me diz, por que esses babacas não esperam na seção de meias ou no corredor?
Afinal, ninguém é obrigado a escolher suas calcinhas do lado de um marmanjo com cara de tonto!
Hei, vamos brincar de ser feliz? Você aí e eu aqui A gente finge um sorriso sincero Um abraço terno e um beijo de amor
Que irão se encontrar por fotografias Por poesias, bem longe do ardor Num lençol geladinho, num quarto E sozinho para fazer amor
E num dia de sol a gente deita na grama Faz dela uma cama e se desmancha em calor Inventa um pedido, um cupido, um bandido Qualquer coisa para se desfazer de toda a dor
Quando a noite azulada chegar A gente sai na sacada para se embebedar E quem sabe escreve um breve poema brega Sobre como teria sido bom brincar
Depois de uma longa ausência, onde eu estava me preocupando de viver a vida real, eis que volto para cá tentar tecer alguma coisa sobre o novo ano.
Todo final/início de ano é muito parecido. São dias revestidos por pensamentos saudosos, lembranças de outrora onde se foi mais feliz, de pessoas que não estão mais aqui, de pessoas que estão, aquele sentimento de falta de algo que ainda não se fez... E são justamente esses sentimentos que impulsionam as promessas e a esperança de começar de novo no ano que está para surgir.
Tem gente que se pergunta o porquê de se preparar tanto para uma contagem de 10 segundos apenas, onde depois todos se abraçam, bebem, tiram fotografias e acaba. Mas os dias que antecedem a mudança de ano são permeados por constantes sensações de fechar um ciclo e iniciar outro melhor, mais bonito, mais colorido. E o que seria de nós sem esses rituais?
Falo por experiência própria, experiência de passagens de ano movimentadas, na praia, por exemplo, bebendo e pulando sete ondas, em casa com familiares comendo romãs para guardar as sementes na carteira na esperança de atrair boa fortuna e até mesmo sozinha em casa lendo, vendo fogos pela televisão. E não há nada mais triste e sem sentido que não se fazer participar da festividade humana da passagem do tempo.
É como assistir um filme, se identificar com o cara do mal e suas práticas e não ter a possibilidade de reparação ao final, a possibilidade de se eximir da culpa vendo-o ser punido e o bem prevalecer. É como passar o ano todo fazendo errado e não ter a possibilidade de se perdoar e começar de novo.
Ninguém para pra analisar o caráter mágico do ritual de passagem de ano.
Claro que a magia se perde cada vez mais de ano para ano, mas ainda há um quê de mistério nesse momento, embora essas sensações esmoreçam e cheguem a total inexistência quando a rotina é retomada. Mas é esse ‘quê’ que faz com que tudo se repita no próximo ano.
Por alguns segundos somos capazes de esquecer todo o resto que nos cerca, somos capazes de potencializar nossas orações e pedidos, somos capazes de crer em coisas normalmente incríveis. Somos capazes de abraçar um estranho e desejar do fundo do coração que ele tenha um bom ano. Ainda mais, somos capazes de nos perdoar e perdoar também aqueles que nos magoaram.
E pelo menos uma semana, entre o ano velho e o ano vindouro, fica enuviada por uma atmosfera densa de sonhos, memórias, saudades, perdões e esperanças capazes de transformar quem os sentem, pelo menos por alguns dias...
Já vivi tudo intensamente, hoje quero paz de espírito. Apenas.
Se for acompanhada de um cara bacana, melhor ainda. Se não, tudo bem, sei viver bem comigo. Não beijo alguém apenas para não ficar sozinha uma noite, não preciso disso.
Tenho milhões de defeitos.
Sou ansiosa, impaciente, racionalizo tudo. Sinto ciúmes, mas sou orgulhosa demais para assumir isso. E raramente peço ajuda ou falo dos meus problemas.
Não suporto medir desgraças.
Porém sou boa ouvinte e se me importo, com certeza, será verdadeiro.
Sei que jamais serei magrinha, então não encano com dietas e um corpo perfeito, estou bem com os meus 60kg.
E não faria plástica no meu nariz.
Já fui loira (e sim, as loiras chamam muito mais a atenção dos homens!). Já fui ruiva, mas sou morena! Gosto de ser morena.
Adoro as minhas tatuagens. De todas as cicatrizes, essas são as que escolhi para mim. E todas tem significado.
Hoje já não preciso que outras pessoas me digam o quanto sou bonita, sexy, inteligente.
Cresci. Confio em mim e no que sou capaz.
Antes só do que mal acompanhada, e isso vale para amigos também. Não tenho medo de me afastar do que não me faz bem. Nada me prende a situações onde não sou feliz.
Dificilmente alguém vai me ver chorando. Esse é um privilégio somente dos que são especiais para mim.
Falo muito, falo muita bobeira, faço palhaçada, adoro fazer as pessoas se sentirem a vontade, verem que podem rir de seus problemas também.
Sou compreensiva, evito julgamentos. Aceito as pessoas como elas são, mas não me machuque. A minha maneira de reagir ao sofrimento é ficar longe.
Porém não finjo indiferença apenas para magoar alguém! Se acaba, acaba uma só vez. Não olho para trás. Mais um defeito, sou 8 ou 80.
Mas de cada época da minha vida levo pelo menos uma pessoa para sempre. Não sei porque é assim.
Em alguns momentos sou impulsiva, acabo sendo grossa e estúpida, mas sei reconhecer e pedir desculpas. Não gosto de fofocas e não falo nada além do que falaria diretamente para a pessoa.
Posso parecer um pouco excêntrica, tenho gostos estranhos, prefiro a noite, o silêncio, mas sou bastante comum.
Gosto de arte, livros, teatro, escrever, desenhar, conversar, discutir.
Não gosto de balada, ficar bêbada, perder a noção. Poderia dizer que não tenho mais idade pra isso, mas tenho apenas 24 anos. É que já vivi essa fase e garanto que não me acrescentou nada. Alguns me acham um pouco séria, ou velha demais, por isso.
Fiz muita coisa na minha vida! Tenho pouquíssimos arrependimentos, afinal graças a tudo que já fiz que hoje sei o que quero e o que não quero pra mim. Os erros fazem a gente amadurecer muito mais que os acertos.
Sinto de verdade por tudo de ruim que existe no mundo, vivo pensando sobre essas coisas, isso me deixa mal, mas ainda assim gosto de discutí-las. Choro ao ver crueldade com animais e desenhos da Disney, e evito comer carne apenas por dó.
Me formei em psicologia e não sei se quero continuar sendo psicóloga, porém também não sei fazer outra coisa. Ó dúvida!
Mas uma coisa que tenho certeza é que sou forte, muito mais do que imaginava.
Na semana que passou fui comprar um tênis. Não compro um tênis desde 2004/2005. Aliás, não uso tênis. Minha vida se resume a scarpins e sandálias com salto alto. Em casa fico descalça.
Por alguns segundos vislumbrei no tênis a possibilidade de resgatar algo que me foi precioso em outros tempos: a sensação de ser livre para me vestir como quero! Comprei um All Star verde musgo (que atualmente se chama Converse – Estou ficando velha!).
O tênis é lindo! Me remeteu instantaneamente a época em que eu andava pisando nas barras das minhas calças jeans velhas e surradas, carregando uma enorme mochila cheia de cadernos e livros. E o melhor de tudo, o tênis é número 34! Jamais usei um sapato número 34... Será que os adolescentes de hoje tem pés menores ou as crianças estão se vestindo com roupas e sapatos adultos? Não cabe aqui pensar sobre isso.
Cheguei em casa doida para ‘estrear’ meu sapato novo e foi então que uma sensação dolorida de melancolia tomou conta do meu coração. Não tenho nenhuma roupa que combine com meu all star! Não vejam essa situação pelo simplório ângulo, até mesmo fútil, da moda. A questão não foi não ter roupas suficientes e sim perceber que minha identidade visual enquanto pessoa adulta é composta por roupas que jamais admirei e quis usar.
Experimentei o tênis com calças sociais, terninhos, cigarettes, camisas... E nada entrava em harmonia. Foi como se um dos pedaços mais importantes de mim não fizesse parte, ou não pudesse fazer... Aquele pedaço que é consciente. Que é prazer. Que é escolha.
Ressuscitei uma velha calça jeans, uma camisetinha branca básica e coloquei meu sapato novo. Mas os meus pés já estavam tão calejados pelos scarpins e sandálias que o sapato me machucou... E para minha triste surpresa constatei que já estou tão dentro de um mundo que não é meu, que os meus desejos são fonte de dor e não de prazer...
Quando enxergamos tudo o que vem da vida como chances de crescimento e aprendizagem... Quando aceitamos e, principalmente, agradecemos por essas coisas, sejam elas como forem... Aí então não existe bom ou ruim, passamos a ver a beleza da vida enquanto possibilidade infinita, e podemos ser como quisermos.
É fácil agradecer um dia ensolarado, um presente, uma boa surpresa. Mas sabedoria e paz só vêm com as tempestades, com a dor, com a saudade e com a nossa sensibilidade para agradecer por estarmos vivos, e sermos melhores pessoas, apesar de tudo.
Lamento, rancor e raiva são sentimentos humanos, mas não podem trazer felicidade. Não podemos nos impedir de sentir coisas, mas podemos escolher qual delas queremos alimentar.
Um mundo onde a existência se confunde com a ilusão e o que é talvez não seja nada além de um véu que cobre a realidade. Esse véu é Maya. Que nos possibilita amar, odiar, sentir o gosto, o cheiro e a textura das coisas. Mas que também nos engana, nos afasta e nos deixa ficar na eterna ignorância sobre quem somos realmente. E são sobre esses pequenos pedaços de ilusão que me proponho a escrever. Por mais reais que pareçam ser...
"Deus, o Uno, em Maya revela seu verso, fazendo-se Universo. Eu, parte do universo, vivo a buscar meu verso, para voltar a ser Uno."
Aquariana, ascendente e lua em Escorpião. Vênus em Capricórnio. Não resiste a um idealismo utópico e a livros de fantasia.
Ama animais. Adora gatos. Agradece ao Universo todos os dias por ter um lindo céu que torna possível os mais infinitos devaneios... Vive pedindo força, firmeza, coragem e serenidade para continuar.
É psicóloga e às vezes brinca de escrever e coloca no blog. Sem nenhuma pretensão, é claro.